sábado, 1 de abril de 2023

Cartola no Vestibular da UNICAMP 2024


 

Uma das novidades para o vestibular 2024 da UNICAMP é a nova lista de obras indicadas, entre a nova seleção destacamos as canções escolhidas da obra do sambista carioca Cartola, confira as 10 composições abaixo:


Canções escolhidas, de Cartola:


1. Alvorada

2. As rosas não falam

3. Cordas de aço

4. Disfarça e chora

5. O inverno do meu tempo

6. O mundo é um moinho

7. Que é feito de você?

8. Sala de recepção

9. Silêncio de um cipreste

10. Sim

 

 

Alvorada

Cartola, Carlos Cachaça e Hermínio Bello Carvalho

Álbum Cartola - 1974

 

Alvorada lá no morro, que beleza

Ninguém chora, não há tristeza

Ninguém sente dissabor

O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo

E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo

Alvorada

 

Alvorada lá no morro, que beleza

Ninguém chora, não há tristeza

Ninguém sente dissabor

O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo

E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo

 

Você também me lembra a alvorada

Quando chega iluminando

Meus caminhos tão sem vida

E o que me resta é bem pouco

Quase nada, de que ir assim

Vagando numa estrada perdida

Alvorada

 

Alvorada lá no morro, que beleza

Ninguém chora, não há tristeza

Ninguém sente dissabor

O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo

E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo

Alvorada

 

Alvorada lá no morro, que beleza

Ninguém chora, não há tristeza

Ninguém sente dissabor

O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo

E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo

 

Você também me lembra a alvorada

Quando chega iluminando

Meus caminhos tão sem vida

E o que me resta é bem pouco

Quase nada, de que ir assim

Vagando numa estrada perdida

Alvorada

 

Alvorada lá no morro, que beleza

Ninguém chora, não há tristeza

Ninguém sente dissabor

E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo

Alvorada

 

 

 

As Rosas Não falam

Cartola

Álbum Cartola - 1974

 

Bate outra vez

Com esperanças o meu coração

Pois já vai terminando o verão

Enfim

 

Volto ao jardim

Com a certeza que devo chorar

Pois bem sei que não queres voltar

Para mim

 

Queixo-me às rosas

Que bobagem as rosas não falam

Simplesmente as rosas exalam

O perfume que roubam de ti, ai

 

Devias vir

Para ver os meus olhos tristonhos

E, quem sabe, sonhavas meus sonhos

Por fim

 



Cordas de Aço

Cartola

Álbum Cartola II - 1976

 

Ah, essas cordas de aço

Este minúsculo braço

Do violão que os dedos meus acariciam

 

Ah, este bojo perfeito

Que trago junto ao meu peito

Só você violão

 

Compreende porque perdi toda alegria

E no entanto meu pinho

Pode crer, eu adivinho

 

Aquela mulher

Até hoje está nos esperando

Solte o teu som da madeira

 

Eu você e a companheira

Na madrugada iremos pra casa

Cantando

 

Ah, essas cordas de aço

Este minúsculo braço

Do violão que os dedos meus acariciam

 

Ah, este bojo perfeito

Que trago junto ao meu peito

Só você violão

Compreende porque perdi toda alegria

 

 

Disfarça e Chora

Cartola

Álbum Cartola - 1974

 

Chora, disfarça e chora
Aproveita a voz do lamento
Que já vem a aurora

A pessoa que tanto queria
Antes mesmo de raiar o dia
Deixou o ensaio por outra

Ó triste senhora
Disfarça e chora
Todo o pranto tem hora

E eu vejo seu pranto cair
No momento mais certo
Olhar, gostar só de longe

Não faz ninguém chegar perto
E o seu pranto, ó triste senhora
Vai molhar o deserto

Chora, disfarça e chora
Aproveita a voz do lamento
Que já vem a aurora

A pessoa que tanto queria
Antes mesmo de raiar o dia
Deixou a Escola por outra

Ó triste senhora
Disfarça e chora
Todo o pranto tem hora

E eu vejo seu pranto cair
No momento mais certo
Olhar, gostar só de longe

Não faz ninguém chegar perto
E o seu pranto, ó triste senhora
Vai molhar o deserto
Vai molhar o deserto



 


O Inverno do Meu tempo

Cartola

 

Surge a alvorada

Folhas a voar

E o inverno do meu tempo começa

A brotar, a minar

 

E os sonhos do passado

No passado estão presentes

No amor...

E não envelhece jamais

Eu tenho paz

E ela tem paz

 

Nossas vidas

Muito sofridas caminhos tortuosos

Entre flores e espinhos demais

 

 

Já não sinto saudade

Saudades de nada que vi

O inverno do tempo da vida

Oh Deus e eu me sinto feliz

 

Surge a alvorada

Folhas a voar

E o inverno do meu tempo começa

A brotar, a minar

 

E os sonhos do passado

No passado estão presentes

No amor...

E não envelhece jamais

Eu tenho paz

E ela tem paz

 

Nossas vidas

Muito sofridas caminhos tortuosos

Entre flores e espinhos demais

 

Já não sinto saudade

Saudades de nada que vi

O inverno do tempo da vida

Oh Deus e eu me sinto feliz

 



 

O Mundo é um Moinho

Cartola

Álbum Cartola II - 1976

 

Ainda é cedo, amor

Mal começaste a conhecer a vida

Já anuncias a hora de partida

Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

 

Presta atenção, querida

Embora eu saiba que estás resolvida

Em cada esquina cai um pouco tua vida

Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor

Preste atenção, o mundo é um moinho

Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho

Vai reduzir as ilusões a pó

 

Preste atenção, querida

De cada amor, tu herdarás só o cinismo

Quando notares, estás à beira do abismo

Abismo que cavaste com teus pés

 

Ainda é cedo, amor

Mal começaste a conhecer a vida

Já anuncias a hora de partida

Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

 

Preste atenção, querida

Embora eu saiba que estás resolvida

Em cada esquina cai um pouco a tua vida

Em pouco tempo não serás mais o que és

 

Ouça-me bem, amor

Preste atenção, o mundo é um moinho

Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho

Vai reduzir as ilusões a pó

 

Presta atenção, querida

De cada amor, tu herdarás só o cinismo

Quando notares, estás à beira do abismo

Abismo que cavaste com teus pés

  




  

O que é feito de você?

Cartola

 

O que é feito de você ó minha mocidade?

Ó minha força, a minha vivacidade?

O que é feito dos meus versos e do meu violão?

Troquei-os sem sentir por um simples bastão

 

E hoje quando passo a gurizada pasma

Horrorizada como quem vê um fantasma

E um esqueleto humano assim vai

Cambaleando quase cai, não cai

 

Pés inchados, passos em falso

O olhar embaçado

Nenhum amigo ao meu lado

Não há por mim compaixão

A tudo vou assistindo

A ingratidão resistindo

Só sinto falta dos meus versos

Da mocidade e do meu violão

 

O que é feito de você ó minha mocidade?

Ó minha força, a minha vivacidade?

O que é feito dos meus versos e do meu violão?

Troquei-os sem sentir por um simples bastão

 

E hoje quando passo a gurizada pasma

Horrorizada como quem vê um fantasma

E um esqueleto humano assim vai

Cambaleando quase cai, não cai

Cambaleando quase cai, não cai

Cambaleando quase cai, não cai...

 

 

Sala de Recepção

Cartola

Álbum Cartola II - 1976

 

Habitada por gente simples e tão pobre

Que só tem o sol que a todos cobre

Como podes, mangueira, cantar?

Pois então saiba que não desejamos mais nada

A noite, a lua prateada

Silenciosa, ouve as nossas canções

Tem lá no alto um cruzeiro

Onde fazemos nossas orações

E temos orgulho de ser os primeiros campeões

 

Eu digo e afirmo que a felicidade aqui mora

E as outras escolas até choram

Invejando a tua posição

Minha mangueira essa sala de recepção

Aqui se abraça inimigo

Como se fosse irmão

Habitada por gente simples e tão pobre

Que só tem o sol que a todos cobre

Como podes, mangueira, cantar?

 

Pois então saiba que não desejamos mais nada

A noite, a lua prateada

Silenciosa, ouve as nossas canções

Tem lá no alto um cruzeiro

Onde fazemos nossas orações

E temos orgulho de ser os primeiros campeões

Eu digo e afirmo que a felicidade aqui mora

E as outras escolas até choram

Invejando a tua posição

 

Minha mangueira essa sala de recepção

Aqui se abraça inimigo

Como se fosse irmão

Habitada por gente simples e tão pobre

Que só tem o sol que a todos cobre

Como podes, mangueira, cantar?

Pois então saiba que não desejamos mais nada

A noite, a lua prateada

Silenciosa, ouve as nossas canções

Tem lá no alto um cruzeiro

Onde fazemos nossas orações

E temos orgulho de ser os primeiros campeões

 

 

 

Silencio de um cipreste

Cartola

 

Todo mundo tem o direito

De viver cantando

O meu único defeito

É viver pensando

 

Em que não realizei

E é difícil realizar

Se eu pudesse dar um jeito

Mudaria o meu pensar

 

Todo mundo tem o direito

De viver cantando

O meu único defeito

É viver pensando

 

Em que não realizei

E é difícil realizar

Se eu pudesse dar um jeito

Mudaria o meu pensar

 

O pensamento é uma folha desprendida

Do galho de nossas vidas

Que o vento leva e conduz

É uma luz vacilante e cega

 

É o silêncio do cipreste

Escoltado pela cruz

Todo mundo tem o direito

De viver cantando

 

O meu único defeito

É viver pensando

Em que não realizei

E é difícil realizar

 

Se eu pudesse dar um jeito

Mudaria o meu pensar

Todo mundo tem o direito

De viver cantando

 

O meu único defeito

É viver pensando

Em que não realizei

E é difícil realizar

 

Se eu pudesse dar um jeito

Mudaria o meu pensar

O pensamento é uma folha desprendida

Do galho de nossas vidas

 

Que o vento leva e conduz

É uma luz vacilante e cega

É o silêncio do cipreste

Escoltado pela cruz

 

 

 

Sim

Cartola

Álbum Cartola - 1974

 

 

Sim

Deve haver o perdão

Para mim

Senão nem sei qual será

O meu fim

 

Para ter uma companheira

Até promessas fiz

Consegui um grande amor

Mas eu não fui feliz

E com raiva para os céus

Os braços levantei

Blasfemei

Hoje todos são contra mim

 

Sim

Deve haver o perdão

Para mim

Senão nem sei qual será

O meu fim

 

Para ter uma companheira

Até promessas fiz

Consegui um grande amor

Mas eu não fui feliz

E com raiva para os céus

Os braços levantei

Blasfemei

Hoje todos são contra mim

 

Todos erram neste mundo

Não há exceção

Quando voltam à realidade

Conseguem perdão

Porque é que eu, Senhor

Que errei pela vez primeira

Passo tantos dissabores

E luto contra a humanidade inteira?

 

Sim

Deve haver o perdão

Para mim

Senão nem sei qual será

O meu fim

 

Para ter uma companheira

Até promessas fiz

Consegui um grande amor

Mas eu não fui feliz

E com raiva para os céus

Os braços levantei

Blasfemei

Hoje todos são contra mim

 

Sim

Deve haver o perdão

 

 


Cartola, 1920 (aos 12 anos de idade)



CARTOLA

(1908- 1980)

FINDA A TEMPESTADE, O SOL RENASCEU

 

Numa certa noite, em 1935, o musicólogo Brasílio Itiberê visitou o morro da Mangueira. E foi recebido, na ponte sobre a linha férrea, por um grupo de ritmistas e pastoras da escola de samba Estação Primeira. Feitas as apresentações, a comitiva subiu em cortejo. E, como era de praxe, ao som do coro e da bateria; tendo à frente a baliza e a porta-estandarte; e sob o comando do apito do mestre de harmonia. Profundamente impressionado por essa visita, Itiberê fez sobre ela um relato minucioso, no qual fala de seu encantamento com um samba em especial, "Tragédia": "Prestai bem atenção que este é um samba do Cartola!", escreveu em seu Mangueira, Montmartre e outras favelas. "Não ouvireis tão cedo um canto assim tão puro, nem linha melódica tão larga e ondulante. Atentai como é bela, e como oscila e boia, sem pousar, entre a marcação dos 'surdos' e a trama cerrada dos tamborins", desmanchou-se.

 

Talvez em busca de um bom "gancho", em 2008, algumas pautas jornalísticas tentaram associar o centenário da morte de Machado de Assis ao de nascimento do compositor Cartola. Chegou-se até a especular se Cartola teria sido o "Machado de Assis do samba". Bobagem! Afinidades entre os dois, se as houve, foram, obviamente, as de origem étnica, além daquelas devidas ao grande talento de ambos, cada um em seu lugar. Porque, até na propalada vivência no "morro", Machado e Cartola foram muito diferentes.

 

O menino Joaquim Maria foi criado no morro do Livramento, na época ainda um conjunto de chácaras, e não um amontoado de casebres, como seria regra geral depois no Rio. Já Cartola, nascido Agenor de Oliveira, no dia 11 de outubro de 1908, no bairro do Catete, portal da Zona Sul, passou boa parte da infância na rua das Laranjeiras, então já servida por bondes elétricos, vizinho de insignes figuras, hoje com seus nomes sonoros em placas de ruas.

 

O compositor fascinante, que encantou o musicólogo Itiberê, já estava desde 1920 na Mangueira, então uma favela incipiente. Morrera-lhe o avô, sustentáculo da família, e a vida teve de mudar. Mas a semente de uma instrução pública rigorosa, como era a daqueles tempos, plantada em terreno fértil, frutificou. E como! Era 1935. E o compositor já tinha alguns belos sambas gravados por artistas famosos, como Francisco Alves, Carmem Miranda e Silvio Caldas. Só que, de repente, "tudo acabado, o baile encerrado" — como diz um de seus sambas.

 

É que em 1928, por força de lei, os compositores musicais foram equiparados, em termos de direitos autorais, aos autores de teatro. Abria-se, então, um novo campo profissional, num setor ainda inexplorado. E a turma da música teve que se abrigar sob as asas da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT), que, por seu] perfil aristocrático, não os viu com bons olhos.

Logo, logo, instaurou. se o conflito: de um lado, a SBAT; do outro, os compositores populares. Sim, populares (alunos, à distância, dos fundadores do samba), mas de paletó e gravata e até “anel no dedo”.

 

Os quais, assim, e, dizem, com dinheiro vindo de fora, organizaram-se em associação, para protagonizar os primeiros momentos da história dos direitos autorais musicais no Brasil. Enquanto isso, de longe, na calçada do outro lado da rua, olhando o burburinho do Café Nice, os pretinhos do samba não entendiam bem o que se passava.

 

Frustrados em sua expectativa de ascensão social por meio de sua arte, os sambistas continuaram em seus biscates e "virações", ocasionalmente de cunho artístico. E Cartola, mesmo admirado por Villa-Lobos e elogiado até pelo célebre maestro inglês Leopold Stokowski — que o ouviu no Rio em 1940 —, não foi exceção.

 

Por outro lado, em 1945, as rixentas sociedades autorais celebravam um armistício. No acordo, a SBAT ficava com os direitos de teatro, que até bem pouco tempo ainda eram chamados "grandes direitos", e os compositores "populares" ficavam com os "peque-nos". E assim o pessoal do Estácio, do Salgueiro, da Mangueira, de Oswaldo Cruz foi mesmo saindo de cena. Cartola, pobre e doente, foi junto, no mesmo momento em que se consagrava a categorização "samba de morro", distinta dos sambas feitos pelos compositores efetivamente "do rádio".

 

Mas o destino, sábio, fez com que as escolas de samba crescessem em importância — e, com elas, Cartola se consolidasse como um verdadeiro mito. E isso aconteceu apesar de, em 1951, ele ter passado o bastão da harmonia mangueirense ao ex-portelense Olivério Ferreira, o famoso Xangô da Mangueira até porque a "harmonia", no sentido técnico de conjunto de regras da tonalidade, ou de sons relacionados, não cabia mais nas escolas, as quais, já aí, sustentavam-se apenas na percussão.

 

Nos anos 1950 e 1960, então, Cartola, depois de comer o pão que o diabo amassou e ser dado como morto e acabado, veio vindo de novo superfície. Primeiro, escorado aqui e ali, com um emprego subalterno em um ministério, conseguido por um político amigo; também com a abertura do restaurante e casa de shows Zicartola, com o capital de amigos bancando a aventura por eles mesmos inventadas, Depois, com as gravações de "O sol nascerá", por Elis Regina, em 1964 e 'Alvorada", por Clara Nunes, em 1972 -- e das regravações de grandes sambas compostos no passado —, além do infalível e admirável companheirismo de dona Zica, mulher pra toda obra... Até que veio o êxito.

 

Entre 1974 e 1979, com "As rosas não falam", "O mundo é um moinho" e "Peito vazio", entre outras composições, com ou sem parceiros, Cartola, com dois LPs gravados em sua própria voz, chegou onde sempre deveria estar. Mas a "indesejada" logo cobrou seu tributo. E a 30 de novembro de 1980 o levou.

 

Cartola, como se diz por aí, "tinha tudo pra dar errado". Mas não deu. A ponto de, em 2008, tentarem compará-lo a Machado de Assis, o que, para mim, repito, é uma bobagem.

 

Machado de Assis — que muitos ainda insistem em não ver como um afrodescendente — é a reluzente imortalidade acadêmica. Cartola, negro, favelado, compositor popular, sambista e, apesar de tudo, um mito, é símbolo de resistência. Brilhante; também.

 

Fonte: LOPES, Nei. Afro-Brasil Reluzente – 100 Personalidades Notáveis do Século. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2019. pp.39-42

 



Veja também:

 

https://www.unicamp.br/unicamp/noticias/2022/05/10/vestibular-unicamp-divulga-listas-de-obras-para-proximas-tres-edicoes

 

https://radiobatuta.ims.com.br/playlists/cartola-sao-muitos

 

https://discografiabrasileira.com.br/posts/243419/cartola-inesquecivel-amigos-relembram-historias-do-mestre-nos-40-anos-de-sua-morte

 

https://radiobatuta.ims.com.br/podcasts/musica-negra-do-brasil

 

https://www.itaucultural.org.br/secoes/noticias/anos-cartola

 


Lista de Obras Indicadas – Vestibular UNICAMP - 2024

 

A Tarde (Olavo Bilac)

 

Olhos d’água (Conceição Evaristo)

 

Carta de Achamento a el-rei D. Manuel  (Pero Vaz de Caminha)

 

Casa Velha (Machado de Assis)

 

O Ateneu (Raul Pompeia)

 

Niketche - uma História de Poligamia (Paulina Chiziane)

 

“Seminário dos ratos” (Lygia Fagundes Telles)

 

Canções escolhidas (Cartola)

 

Alice no país das maravilhas (Lewis Carroll)

 

 

 

 

domingo, 19 de março de 2023

A luta dos negros pelo direito à educação em Campinas - SP


Professor Francisco José de Oliveira

Um grupo social de significativa presença em Campinas foi o dos descendentes de africanos, que vieram para o Brasil em função da escravidão. Muitos desses africanos e seus descendentes, que obtiveram a liberdade em diferentes épocas, destacaram-se como importantes agentes da vida social na cidade, e não apenas como parte expressiva do contingente de trabalhadores urbanos e rurais, mas como profissionais atuantes em várias áreas. No entanto, a vigência de mais de três séculos de escravidão e a imposição de sérias barreiras sociais, criaram enormes dificuldades para que este segmento da população se destacasse ainda mais, ainda que algumas experiências tenham se revelado essenciais para garantir o acesso de afrodescendentes à educação. Suas conquistas, construídas em meio a limites, são exemplos de luta por uma cidadania plena, compartilhada por grande parte da população campineira e brasileira. Na década de 1860, em plena vigência da escravidão, o negro liberto Antônio Ferreiro Cesarino e suas irmãs Bernardina, Amâncio e Balbína, fundaram em Campinas o Colégio Perseverança (conhecido como Colégio Cesarino), de educação feminina.

O Cesarino contava com professores negros de grande prestígio e um número significativo de alunos de famílias mais abastadas da cidade, e muito embora a escola fosse particular e não destinada, exclusivamente, a alunos negros, o professor Cesarino garantia a escolarização de algumas alunas negras sem recursos, sem contar com qualquer tipo de subvenção oficial. O destaque desta instituição levou D. Pedro II a visitá-lo em 1876, ano, no entanto, que a escola fechou suas portas por dificuldades financeiras. De fato, a trajetória do Cesarino nos coloca diante das efetivas possibilidades e dificuldades enfrentadas pelos descendentes africanos em obter acesso à escolarização.



Colégio São Benedito - Campinas 

Um outro caso importante foi o da Escola São Benedito, surgida nos fundos da Igreja de São Benedito no final do século XIX, para escolarizar alunos de origem africana e pessoas de condição social modesta; esta escola manteve também uma Banda Musical reconhecida na cidade. Em 1902, desta antiga Escola, surgiu o Colégio São Benedito instituição que funcionou (com dificuldades) em dependências anexas à Igreja até 1908, ano em que o Bispo D. João Nery realizou uma intervenção na Irmandade de São Benedito, transferindo-a para o controle dos padres da Congregação Sagrado dos Estigmas.

A partir de então, o Colégio foi instalado em uma casa alugada na rua Moraes Sales, foi incorporado à Federação Paulista dos Homens de Cor em 1910 e até o falecimento de seu diretor e fundador, Francisco José de Oliveira, em 1937, o Colégio São Benedito funcionou com regularidade, atendendo alunos dos mais variados grupos sociais e origens étnicas e se configurando como importante testemunho da organização da população negra em Campinas.

 

PESSOA. Ângelo Emílio da Silva. Conhecer Campinas, Uma Perspectiva Histórica. Campinas: SME, 2004, pp109-110.


sábado, 19 de novembro de 2022

Afro Leonor - 2ª Edicão - 2022

 


Equipe da EMEF Leonor Savi Chaib, acaba de publicar a segunda edição do Jornal Afro Leonor - 2022, trazendo um pouco das experiências desenvolvidas pela equipe escolar dentro de uma prática de respeito à diversidade e a cultura e história africana e afro-brasileira.

Para conferir o Afro Leonor na integra: clique aqui




quarta-feira, 15 de junho de 2022

Roteiro de Análise do filme: Doutor Gama


Roteiro de Análise sobre o filme Dr Gama

Direção: Jeferson De

Roteiro Luiz Antônio

Elenco: Cesar Mello, Pedro Guilherme, Ângelo Fernandes

Tempo: 80 minutos


A história de Luiz Gama, uma criança negra livre, filho de Luiza Mahim e de um pai branco português que acaba vendendo o filho como escravizado. No final da adolescência, Luiz conhece Antônio, um estudante de direito que lhe ensina ler e escrever, e também conquistar novamente a sua condição de homem livre. Luiz se torna um advogado, dedicado a defender escravizados na justiça.

O filme pode ser assistido por turmas do ciclo final do ensino fundamental, educação de jovens e adultos e ensino médio.


Biografia de Luiz Gama

Luiza Mahin

Bill Aberdeen

Lei Eusébio de Queiroz

Tráfico interno

Escravidão e Justiça

Escravidão no Brasil Império

Abolicionismo


Para acessar a atividade: clique aqui






segunda-feira, 15 de novembro de 2021

AFRO LEONOR - educação antirracista e afro educação

 


A EMEF Leonor Savi Chaib vem unindo esforços entre seus educadores e educandos, no sentido de compreender os diferentes problemas do mundo atual.

Na sua trajetória mais recente, procuramos consolidar e ampliar em seu projeto político pedagógico a temática da educação das relações étnico-raciais, da história e cultura africana e afro-brasileira e da educação antirracista.

“AFRO LEONOR – Educação Antirracista e Afro Educação” é uma publicação da EMEF Leonor Savi Chaib, reunindo a maioria das iniciativas, práticas, ações, projetos, manifestações, e eventos representativos no desenvolvimento da temática étnico-racial.

Esse ano a escola criou um GT – Grupo de Estudos de Educação Antirracista, com a participação de educadores de todos os segmentos da escola, promovendo a leitura, estudo e reflexão da obra “Memorias da Plantação – episódios de racismo cotidiano”, da autora afro-portuguesa Grada Kilomba, qualificando as referências teóricas dos profissionais da escola.

A diversidade e pluralidade são também algumas das características da nossa escola, com uma expressiva parcela de alunos negros (pretos e pardos), indígenas, mestiços, migrantes e brancos. O respeito ao direito de todos, os princípios de humanidade, igualdade e justiça, o reconhecimento e a valorização da cultura e da democracia estão presentes em nossas práticas pedagógicas.

O conteúdo dessa publicação expressa um pouco dessas nossas intenções.

PARA ACESSAR A VERSÃO DO JORNAL EM PDF CLIQUE EM: AFRO LEONOR

PARA ACESSAR A VERSÃO ELETRÔNICA/DIGITAL CLIQUE EM: AFRO LEONOR






domingo, 15 de agosto de 2021

Coroação de Reis e Rainhas

 


Coroação de um Rei nos festejos de Reis - o Rei, vestido de negro, traz uma sobressaia vermelha, empunha o cetro e tem à cabeça a coroa. Seu manto vermelho, recamado de estrelas, é sustentado por um menino; para protegê-lo, um homem carrega um grande guarda-sol bordado. Seis escravos, com roupagens coloridas e enfeitados com penas, são vistos empunhando diversos instrumentos musicais e dançando. À direita da cena, uma escrava embuçada e de turbante. Aquarela: colorida. 




Coroação de uma rainha negra na festa de Reis - A rainha vestida de brocado, ataviada de joias, empunha o cetro e traz na cabeça a coroa. Seu manto vermelho, recamado de estrelas, é sustentado por uma escrava; outra carrega um guarda-sol para protegê-la. Mais cinco figuras de escravas, com roupagens coloridas e enfeitadas de penas, são vistas empunhando diversos instrumentos musicais e dançando. Aquarela colorida. 

Fonte: RISCOS ILLUMINADOS DE FIGURINHOS DE BRANCOS E NEGROS DOS UZOS DO RIO DE JANEIRO E SERRO DO FRIO - AQUARELAS POR CARLOS JULIÃO. Biblioteca Nacional / MEC, Rio de Janeiro, 1960.

 

 Carlos Julião

Aquarela

Carlo Juliani (Turim, Itália, 1740 - Rio de Janeiro?, 1811). Pintor, desenhista, engenheiro, militar. 

Chafariz do Lagarto

 



Chafariz do Lagarto

Rio de Janeiro - 1851

José dos Reis Carvalho

O escravo que espera pacientemente o enchimento dos toneis de água porta uma Máscara de Flandrez,, duas negras de ganho conversam observadas pelo escravo.

Máscara de Flandres: máscara, fabricada com folha de flandres - lâmina composta por uma liga metálica à base de ferro que, mergulhada em estanho, lata – durante a escravidão os senhores de escravos obrigavam alguns escravos utilizar esse instrumento de tortura, controle e dominação. Tinham diferentes objetivos:  impedir que os escravos ingerissem alimentos, bebidas ou terra, nas áreas mineradoras impedia os escravos de engolir diamantes, serviam também para impedir o escravo de falar, ou seja, submetiam as pessoas ao silenciamento. Feitas de chapa de metal laminada, eram trancadas com um cadeado atrás da cabeça, possuindo orifícios para os olhos e nariz, mas impedindo totalmente o acesso à boca.


sábado, 24 de julho de 2021

Negro Drama

 

Negro Drama

Racionais MC's

 

Negro drama

Entre o sucesso e a lama

Dinheiro, problemas,

Inveja, luxo, fama

 

Negro drama,

Cabelo crespo

E a pele escura

A ferida, a chaga

À procura da cura

 

Negro drama

Tenta ver

E não vê nada

A não ser uma estrela,

Longe, meio ofuscada

 

Sente o drama

O preço, a cobrança

No amor, no ódio

A insana vingança

 

Negro drama

Eu sei quem trama

E quem tá comigo

O trauma que eu carrego

Pra não ser mais um preto fodido

 

 

O drama da cadeia e favela

Túmulo, sangue

Sirene, choros e vela

 

Passageiro do Brasil

São Paulo

Agonia que sobrevivem

Em meio às honras e covardias

 

Periferias, vielas, cortiços

Você deve tá pensando

O que você tem a ver com isso?

 

Desde o início

Por ouro e prata

Olha quem morre

Então veja você quem mata

 

Recebe o mérito, a farda

Que pratica o mal

Me ver

Pobre, preso ou morto

Já é cultural

 

Histórias, registros

Escritos

Não é conto

Nem fábula

Lenda ou mito

 

Não foi sempre dito

Que preto não tem vez

Então, olha o castelo irmão

Foi você quem fez, cuzão

 

Eu sou irmão

Dos meus truta de batalha

Eu era a carne,

Agora sou a própria navalha

 

Tin-tin,

Um brinde pra mim

Sou exemplo de vitórias

Trajetos e glórias, glórias

 

O dinheiro tira um homem da miséria

Mas não pode arrancar

De dentro dele

A favela

 

São poucos que entram em campo pra vencer

A alma guarda

O que a mente tenta esquecer

 

Olho pra trás

Vejo a estrada que eu trilhei

Mó cota

Quem teve lado a lado

E quem só ficou na bota

 

Entre as frases

Fases e várias etapas

Do quem é quem,

Dos mano e das mina fraca

 

Negro drama de estilo

Pra ser

E se for,

Tem que ser

Se temer é milho

 

Entre o gatilho e a tempestade

Sempre a provar

Que sou homem e não um covarde

 

Que Deus me guarde

Pois eu sei

Que ele não é neutro

Vigia os rico

Mas ama os que vem do gueto

 

Eu visto preto

Por dentro e por fora

Guerreiro

Poeta, entre o tempo e a memória

 

Ora

Nessa história

Vejo dólar

E vários quilates

Falo pro mano

Que não morra e também não mate

 

O tic-tac

Não espera, veja o ponteiro

Essa estrada é venenosa

E cheia de morteiro

 

Pesadelo

É um elogio

Pra quem vive na guerra

A paz nunca existiu

 

Num clima quente

A minha gente sua frio

Vi um pretinho

Seu caderno era um fuzil

Um fuzil

 

Negro drama

 

Crime, futebol, música, caraio

Eu também não consegui fugir disso aí

Eu sou mais um

Forrest Gump é mato

Eu prefiro contar uma história real

Vou contar a minha

 

Daria um filme

Uma negra

E uma criança nos braços

Solitária na floresta

De concreto e aço

 

Veja

Olha outra vez

O rosto na multidão

A multidão é um monstro

Sem rosto e coração

 

 

Ei, São Paulo

Terra de arranha-céu

A garoa rasga a carne

É a Torre de Babel

 

Família brasileira

Dois contra o mundo

Mãe solteira

De um promissor

Vagabundo

 

Luz, câmera e ação

Gravando a cena vai

Um bastardo

Mais um filho pardo, sem pai

 

Ei, senhor de engenho

Eu sei bem quem você é

Sozinho cê num guenta, sozinho

Cê num entra a pé

 

Cê disse que era bom

E a favela ouviu

Lá também tem

Whisky, Red Bull

Tênis Nike e fuzil

 

Admito

Seus carro é bonito

É, eu não sei fazê

Internet, videocassete

Os carro loco

 

Atrasado

Eu tô um pouco sim

Tô, eu acho

Só que tem que

 

Seu jogo é sujo

E eu não me encaixo

Eu sou problema de montão

De Carnaval a Carnaval

Eu vim da selva

Sou leão

Sou demais pro seu quintal

 

Problema com escola

Eu tenho mil, mil fitas

Inacreditável, mas seu filho me imita

No meio de vocês

Ele é o mais esperto

Ginga e fala gíria

Gíria não, dialeto

 

Esse não é mais seu

Ó, subiu

Entrei pelo seu rádio

Tomei, cê nem viu

Nóis é isso ou aquilo

 

O quê?

Cê não dizia?

Seu filho quer ser preto,

Rááá

Que ironia

 

Cola o pôster do 2Pac aí

Que tal?

Que cê diz?

Sente o negro drama

Vai

Tenta ser feliz

 

Ei bacana

Quem te fez tão bom assim?

O que cê deu

O que cê faz

O que cê fez por mim?

 

Eu recebi seu tic

Quer dizer kit

De esgoto a céu aberto

E parede madeirite

 

De vergonha eu não morri

To firmão

Eis-me aqui

 

Você, não

Cê não passa

Quando o mar vermelho abrir

 

Eu sou o mano

Homem duro

Do gueto, Brown

Obá

 

Aquele louco que não pode errar

Aquele que você odeia

Amar nesse instante

Pele parda

Ouço funk

E de onde vem

Os diamantes

Da lama

 

Valeu mãe

Negro drama

Drama, drama, drama

 

Aê, na época dos barracos de pau lá na Pedreira, onde vocês tavam?

Que que vocês deram por mim?

Que que vocês fizeram por mim?

Agora tá de olho no dinheiro que eu ganho

Agora tá de olho no carro que eu dirijo

Demorou, eu quero é mais

Eu quero até sua alma

Aí, o rap fez eu ser o que sou

 

Ice Blue, Edy Rock e KL Jay e toda a família

E toda geração que faz o rap

A geração que revolucionou

A geração que vai revolucionar

Anos 90, Século 21

É desse jeito

 

Aê, você sai do gueto, mas o gueto nunca sai de você, morou irmão?

Você tá dirigindo um carro

O mundo todo tá de olho em você, morou?

Sabe por quê?

Pela sua origem, morou irmão?

É desse jeito que você vive

É o negro drama

Eu não li, eu não assisti

Eu vivo o negro drama, eu sou o negro drama

Eu sou o fruto do negro drama

Aí Dona Ana, sem palavras, a senhora é uma rainha, rainha

 

Mas aê, se tiver que voltar pra favela

Eu vou voltar de cabeça erguida

Porque assim é que é

Renascendo das cinzas

Firme e forte, guerreiro de fé

 

Vagabundo nato!

Haiti

 

Haiti

Caetano Veloso, Gilberto Gil

 

Quando você for convidado pra subir no adro

Da Fundação Casa de Jorge Amado

Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos

Dando porrada na nuca de malandros pretos

De ladrões mulatos e outros quase brancos

Tratados como pretos

Só pra mostrar aos outros quase pretos

(E são quase todos pretos)

Como é que pretos, pobres e mulatos

E quase brancos, quase pretos de tão pobres são tratados

 

E não importa se olhos do mundo inteiro possam

Estar por um momento voltados para o largo

Onde os escravos eram castigados

E hoje um batuque, um batuque

Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária

Em dia de parada

E a grandeza épica de um povo em formação

Nos atrai, nos deslumbra e estimula

Não importa nada

Nem o traço do sobrado, nem a lente do Fantástico

Nem o disco de Paul Simon

Ninguém, ninguém é cidadão

Se você for ver a festa do Pelô, E se você não for

 

Pense no Haiti, reze pelo Haiti

O Haiti é aqui

O Haiti não é aqui

  

E na TV se você vir um deputado em pânico

Mal dissimulado

Diante de qualquer, mas qualquer mesmo

Qualquer, qualquer

Plano de educação

Que pareça fácil

Que pareça fácil e rápido

E vá representar uma ameaça de democratização

Do ensino de primeiro grau

E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital

E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto

E nenhum no marginal

E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual

Notar um homem mijando na esquina da rua

Sobre um saco brilhante de lixo do Leblon

 

E ao ouvir o silêncio sorridente de São Paulo

Diante da chacina

111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos

Ou quase pretos, ou quase brancos, quase pretos de tão pobres

E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos

E quando você for dar uma volta no Caribe

E quando for trepar sem camisinha

E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba

 

Pense no Haiti, reze pelo Haiti

O Haiti é aqui

O Haiti não é aqui

 

Compositores: Caetano Veloso / Gilbert Gil

Noites do Norte

 

Noites do Norte

Joaquim Nabuco (1849-1910)

Caetano Veloso

 

A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil.

Ela espalhou por nossas vastas solidões uma grande suavidade;

seu contato foi a primeira forma que recebeu a natureza virgem do país, e foi a que ele guardou;

ela povoou-o como se fosse uma religião natural e viva, com os seus mitos, suas legendas, seus encantamentos;

insuflou-lhe sua alma infantil, suas tristezas sem pesar, suas lágrimas sem amargor, seu silêncio sem concentração, suas alegrias sem causa, sua felicidade sem dia seguinte...

É ela o suspiro indefinível que exalam ao luar as nossas noites do norte

sábado, 12 de setembro de 2020

África na Sala de Aula - África no Currículo Escolar

 

África na Sala de Aula - África no Currículo Escolar

Live realizada no dia 27 de agosto de 2020

dentro da Jornada Anti-Racista de Valinhos

Associação Cultural Afro-Brasileira de Valinhos

Coletivo de Estudos Tereza de Benguela

Selo Diversidade Cultural - A Infância, Combate ao Racismo e Resistência