quinta-feira, 3 de setembro de 2020

A Coisa tá Preta - Rincon Sapiência

A COISA TÁ PRETA

(Rincon Sapiência)

 

Vamo nessa (Manicongo)

Ei, pela minha raça não tem amor

Lava a boca pra falar da minha cor

Se eles quiser provar do sabor

Peça benção pra bater no tambor

 

Nunca age, nunca fala

Que a melanina vira bengala

Só porque fugimos da senzala

Querem dizer que nós é mó mala

 

Abre alas, tamo passando

Polícia no pé, tão embaçando

Orgulho preto, manas e manos

Garfo no crespo, tamo se armando

 

De turbante ou bombeta

Vamo jogar, ganhar de lambreta

Problema deles, não se intrometa

Olha a coisa tá ficando preta

 

Essa batida faz um bem, diz da onde vem

Corpo não para de mexer da até calor

É vitamina pra alma, melanina tem

E todos querem degustar desse bom sabor


Vamo, vamo, vamo

Sem corpo mole, mole, mole

Tamo no corre, corre, corre

A coisa ta preta, preta

 

Vamo, vamo, vamo

Sem corpo mole, mole, mole

Tamo no corre, corre, corre (Ok)

A coisa ta preta, preta (Vambora)

 

Ritmo tribal no baile nós ginga

Cada ancestral no tronco nós vinga

Cada preto se sente Zumbi

E cada preta se sente a Nzinga

 

Pinga, quica, pinga, quica

Querendo uma brecha, toma bica

Misturou, mas a essência fica

Açúcar mascavo adocica

 

Sangue de escravo não, pulei

Vou um pouco mais longe, sangue de rei

Na onda do stereo história, prolongo

Não rola mistério, sou Manicongo

 

Ei, DJ, ferve mil grau

Arame, cabaça, pedaço de pau

Que nem capoeira fechou, berimbau

A coisa tá preta, ó que legal

 

Essa batida faz um bem, diz da onde vem

Corpo não para de mexer da até calor

É vitamina pra alma, melanina tem

E todos querem degustar desse bom sabor

 

Vamo, vamo, vamo

Sem corpo mole, mole, mole

Tamo no corre, corre, corre

A coisa ta preta, preta

 

Vamo, vamo, vamo

Sem corpo mole, mole, mole

Tamo no corre, corre, corre

A coisa ta preta, preta

 

Se eu te falar que a coisa tá preta

A coisa ta boa, pode acreditar

Seu preconceito vai arrumar treta

Sai dessa garoa que é pra não molhar

 

Se eu te falar que a coisa tá preta

A coisa ta boa, pode acreditar

Seu preconceito vai arrumar treta

Sai dessa garoa que é pra não molhar

 

Essa batida faz um bem, diz da onde vem

Corpo não para de mexer da até calor

É vitamina pra alma, melanina tem

E todos querem degustar desse bom sabor

 

Vamo, vamo, vamo

Sem corpo mole, mole, mole

Tamo no corre, corre, corre

A coisa ta preta, preta

 

Vamo, vamo, vamo

Sem corpo mole, mole, mole

Tamo no corre, corre, corre

A coisa ta preta, preta

 


Galanga Livre – 2017

Rincon Sapiência





A Mão Limpeza - Gilberto Gil

 

A Mão da  Limpeza

Gilberto Gil


O branco inventou que o negro

Quando não suja na entrada

Vai sujar na saída, ê

Imagina só

Vai sujar na saída, ê

Imagina só

Que mentira danada, ê


Na verdade a mão escrava

Passava a vida limpando

O que o branco sujava, ê

Imagina só

O que o branco sujava, ê

Imagina só

O que o negro pensava, ê


Mesmo depois de abolida a escravidão

Negra é a mão

De quem faz a limpeza

Lavando a roupa encardida, esfregando o chão

Negra é a mão

É a mão da pureza


Negra é a vida consumida ao pé do fogão

Negra é a mão

Nos preparando a mesa

Limpando as manchas do mundo com água e sabão

Negra é a mão

De imaculada nobreza


Na verdade a mão escrava

Passava a vida limpando

O que o branco sujava, ê

Imagina só

O que o branco sujava, ê

Imagina só

Eta branco sujão



Gilberto Gil explicando a canção:


“Eu fiz A Mão da Limpeza para repor certas coisas no lugar e remendar um preconceito histórico contra os negros; para responder, no mesmo tom, um desaforo – o velho ditado: ‘Negro, quando não suja na entrada, suja na saída.’

 

“Ocorriam-me imagens de lavadeiras lavando roupa nas beiras de rios, inúmeros, por que eu passei no interior da Bahia e outros lugares; de cozinheiras negras, jovens e velhas, espalhadas pelas cozinhas do Brasil; de várias faxineiras limpando as casas. Ocorria-me com muita nitidez o quão acionados e quão importantes são os negros para o trabalho de limpeza em geral que é feito na vida, e também com tamanha nitidez o quão sujadores são exatamente os que têm mais recursos, os mais ricos, os mais beneficiados da sociedade que, em sua grande maioria, correspondem à classe mais clara, a faixa mais branca.

 

“Quer dizer, os negros são tão maciçamente empenhados na função da limpeza da comunidade e acabam sendo acusados de ser os sujões. No fundo, o provérbio tem uma conotação nitidamente moral, além de física; o que se tenta considerar como sujo no negro é sua existência, sua pessoa, sua condição humana. Nesse sentido é muito mais terrível, e a música nem alcança a dimensão da crítica disso; ela apenas toca nisso.

 

“Mas jogando a sujeira como algo produzido preferencialmente pelos brancos, ela faz a limpeza da nódoa que quiseram impor aos negros. E deixa implícita também uma condenação moral aos brancos. Ou seja: ‘Sujos na verdade são vocês, de corpo e alma; pelo menos, mais sujos que os negros vocês são. Há muito mais sujeira a apurar ao longo do processo da civilização de vocês do que da nossa.’ É o que a música diz. E ela diz o que tem a dizer, com contundência e eficácia.”


Fonte:

http://gilbertogil.com.br/conteudo/musicas/



veja a página do cantor: 

Voz do Sangue

 

VOZ DO SANGUE

Agostinho Neto

 

Palpitam-me

os sons do batuque

e os ritmos melancólicos do blue

 

Ó negro esfarrapado do Harlen

ó dançarino de Chicago

ó negro servidor do South

 

Ó negro da África

negros de todo o mundo

 

eu junto

ao vosso magnífico canto

a minha pobre voz

os meus humildes ritmos.

 

Eu vos acompanho

pelas emaranhadas Áfricas

do nosso Rumo.

 

Eu vos sinto

negros de todo o mundo

eu vivo a nossa história

meus irmãos.




Agostinho Neto



Veja um pouco sobre a trajetória de Agostinho Neto em :




segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Concurso Diversidade Cultural

 

UM DESENHO COM UM SLOGAN (UMA MENSAGEM)

Criem um slogan de impacto e desenhos com técnicas mistas de autoria, observando:

a) A temática antirracista proposta: “Infância, combate ao racismo e resistência”

b) A realização do trabalho em folha sulfite,  única, tamanho A4, sem dobras;

c) Não constar identificação do Autor na frente da folha;

d)  As informações para a identificação devem constar no verso, da folha/trabalho contendo as seguintes informações:

I.         Nome completo do Autor;

II.        Idade;

III.       Nome da instituição (Escola) proponente, série e turma.

 

 A realização dos trabalhos pelos alunos deve ser precedida de pesquisa documental sobre a temática étnico-racial e a cultura afro-brasileira, abordando as seguintes diretrizes:

a)        A igualdade da população negra como sujeito de direito;

b)        A compreensão de que a sociedade é plural e que os indivíduos pertencem a grupos étnico-raciais distintos;

c)        A desconstrução de que negros e indígenas são grupos inferiores;

d)        O rompimento das imagens negativas associadas à população negra; e

e)        O diálogo com os diferentes.

 

As premiações descritas no Item acima serão distribuídas entre as três categorias descritas no item “IV -sobre a inscrição”, da seguinte maneira:

a) 1ª categoria:

. 1º Lugar : 1 Tablet e 12 meses de Cestas de Alimentos.

. 2º Lugar -06 meses de cestas de alimentos.

. 3º Lugar - 06 meses de cestas de alimentos.

. 4ºLugar  - 06 meses de cestas de alimentos.

. 5º Lugar - 06 meses de cestas de alimentos.

 

b) 2ª categoria

. 1º Lugar - Curso de Inglês (12meses) e 12 meses de cestas de alimentos

. 2º Lugar - 06 meses de cestas de alimentos.

. 3º Lugar - 06 meses de cestas de alimentos.

. 4º Lugar - 06 meses de cestas de alimentos

. 5º Lugar - 06 meses de cestas de alimentos.

 

c) 3 ª categoria

. 1º Lugar - 1 aparelho celular Smartphone e 12 meses de cestas de alimentos.

. 2º Lugar - 06 meses de cestas de alimentos.

. 3º Lugar - 06 meses de cestas de alimentos.

. 4º Lugar - 06 meses de cestas de alimentos.

. 5º Lugar - 06 meses de cestas de alimentos.


Para maiores detalhes veja o edital do concurso: clique aqui


 

 

 

domingo, 21 de junho de 2020

domingo, 29 de julho de 2018

Povos e Cultura Africanas - Introdução



Povos e Culturas Africanas

Apresentação em PDF para aulas de história, com as turmas de 7° Ano, Ensino Fundamental, explorando características gerais do continente Africano, bem como conceitos como Etnia, Sudaneses e Bantos.

Para acessar a apresentação CLIQUE AQUI


segunda-feira, 4 de junho de 2018

Carolina Maria de Jesus cantando suas composições




Carolina Maria de Jesus - "Quarto de despejo - Carolina Maria de Jesus cantando suas composições" [1961]






O Pobre e o Rico
Carolina Maria de Jesus
 
Ohhh, ohhh, ohhh

(É triste a condição do pobre na terra)
É triste a condição do pobre na terra

Rico quer guerra
Pobre vai na guerra
Rico quer paz
Pobre vive em paz

Rico vai na frente
Pobre vai atrás
Rico vai na frente
Pobre vai atrás

Rico faz guerra, pobre não sabe por que (2x)
Pobre vai na guerra tem que morrer (2x)

Pobre só pensa no arroz e no feijão
Pobre só pensa no arroz e no feijão

Pobre não envolve nos negócio da nação
Pobre não tem nada com a desorganização
Pobre e rico vence a batalha
na sua pátria rico ganha medalha
o seu nome percorre o espaço
Pobre não ganha nem uma divisa no braço
Pobre não ganha nem uma divisa no braço

Pobre e rico são feridos
porque a guerra é uma coisa brutal
Só que o pobre nunca é promovido
Rico chega a Marechal
Rico chega a Marechal

Ohhhh Ohhh Ohhh



terça-feira, 29 de maio de 2018

sábado, 26 de maio de 2018

Video Aula sobre o Império do Mali


Interessante vídeo-aula do professor Cristiano, sobre o antigo  Império do Mali (século XIII, XIV e XV). Um material para os conteúdos de História, especialmente, para o programa do 7° Ano, do ensino fundamental.


sábado, 17 de fevereiro de 2018

Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?




Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?
Samba Enredo Carnaval 2018
G.R.E.S Paraíso do Tuiuti

Não sou escravo de nenhum senhor
Meu Paraíso é meu bastião
Meu Tuiuti, o quilombo da favela
É sentinela na libertação

Irmão de olho claro ou da Guiné
Qual será o seu valor? Pobre artigo de mercado
Senhor, eu não tenho a sua fé, e nem tenho a sua cor
Tenho sangue avermelhado
O mesmo que escorre da ferida
Mostra que a vida se lamenta por nós dois
Mas falta em seu peito um coração
Ao me dar a escravidão e um prato de feijão com arroz

Eu fui mandiga, cambinda, haussá
Fui um Rei Egbá preso na corrente
Sofri nos braços de um capataz
Morri nos canaviais onde se plantava gente

Ê, Calunga, ê! Ê, Calunga!
Preto Velho me contou, Preto Velho me contou
Onde mora a Senhora Liberdade
Não tem ferro nem feitor

Ê, Calunga
Preto Velho me contou
Onde mora a Senhora Liberdade
Não tem ferro nem feitor

Amparo do Rosário ao negro Benedito
Um grito feito pele do tambor
Deu no noticiário, com lágrimas escrito
Um rito, uma luta, um homem de cor

E assim, quando a lei foi assinada
Uma lua atordoada assistiu fogos no céu
Áurea feito o ouro da bandeira
Fui rezar na cachoeira contra a bondade cruel

Meu Deus! Meu Deus!
Se eu chorar, não leve a mal
Pela luz do candeeiro
Liberte o cativeiro social

Meu Deus! Meu Deus!
Se eu chorar, não leve a mal
Pela luz do candeeiro
Liberte o cativeiro social