segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Obras do pintor afro-americano Kehinde Wiley











Jovens negros inspiram pintor americano Kehinde Wiley
FRANCISCO QUINTEIRO PIRES


Em suas pinturas a óleo, Kehinde Wiley associa a insolência do hip hop, cultura urbana transformada em indústria bilionária, à aristocracia da Idade Moderna.

Quando usa um vocabulário que reforça noções de prestígio, poder e heroísmo, ele se diz transgressor.

"Coloco a cultura afro-americana dentro dos limites tradicionais do retrato europeu para criar uma nova sensibilidade sobre raça e classe", disse à Folha.

O que era uma prática restrita à experiência nos Estados Unidos agora se globalizou. Na década passada, Wiley, 35, iniciou The World Stage, projeto sobre os negros de países como Israel, Nigéria, Índia, China e Brasil.

No próximo mês, o Contemporary Jewish Museum, de San Francisco, nos Estados Unidos, exibe a série com os judeus etíopes.

Negritude é, para Wiley, "uma estética nômade", criadora de uma linguagem internacional. "Notei semelhanças entre os bairros afro-americanos e as regiões urbanas carentes de outros países", diz.

"Existe uma ressonância óbvia entre a pobreza das favelas do Rio e a exclusão em South Los Angeles, onde cresci."

Wiley visitou o Brasil em 2008. Para fazer as 22 pinturas de jovens brasileiros adotou o mesmo método que o consagrou no início dos anos 2000, quando percorria as ruas do Harlem, em Nova York.

Wiley aborda ao acaso um desconhecido e lhe paga pelo menos US$ 100 (cerca de R$ 200), por hora, para fotografá-lo em poses clássicas. Sua técnica lembra a de Norman Rockwell (1894-1978). Ambos manipulam uma situação e a congelam em fotos antes de registrá-la na tela.

O resultado varia pouco. Um jovem que veste roupas de marca, retratado em cores vibrantes, à frente de um fundo adornado, parece saído de um quadro de Velázquez, Jacques-Louis David ou Hans Memling.


Kehinde Wiley           
"Alegoria a Lei do Ventre Livre" (2009), pintura de Kehinde Wiley


POP ART

Wiley rejeita a afirmação recorrente de que os seus trabalhos são comerciais ou um exemplo de pop art. "Eu não tento elevar tendências da cultura de massa a uma forma privilegiada, o que é por definição um dos atributos mais importantes da pop art."

Desde 2001 ele participou de mais de 50 exposições (ao menos 20 individuais).

Já fechou parcerias publicitárias com Puma e Givenchy. O Metropolitan Museum of Art, o Jewish Museum e o Brooklyn Museum, que programa uma retrospectiva em 2015, compraram suas obras. Recentemente, Wiley divulgou "An Economy of Grace", em que pela primeira vez retrata mulheres negras e responde à crítica de que seria misógino.

Um comentário:

SUELI FERREIRA MAURICIO disse...

Gostei muito do blog e das obras, também sou professora